Por Miguel Coelho:

Neyde Noronha. Meiga criatura, tranqüila e tímida, daquele tipo que a gente jamais esquece pela delicadeza da pessoa, ou parecença de anjo. Neyde Noronha pintora. Por sob a superfície apaziguada de seu temperamento há mesmo um turbilhonar de coisas, que, de repente, vêm à superfície em pinceladas de fogo, amplas largas. Pintura gestual, em contraponto com a figura pacífica. O seu trabalho exige várias releituras, mas desde a primeira leitura recebemos de pronto a sua prodigiosa caligrafia, que é o resultado de anos de exigências, trabalho e busca. Neyde cria na tabula rasa de suas telas a exuberância inconteste de nossa natureza tropical, buscada no fino olhar de uma artista curiosa e insatisfeita, nos transmitindo toda sua imaginação pujante. Venho acompanhando, mesmo um pouco afastado, o seu progredir incessante, a sua teimosia em ser artista, o seu questionamento a respeito da pintura, criada no arcabouço de um desenho aprimorado e, finalmente, o resultado esperado. E ninguém consegue ficar indiferente diante de uma peça de Neyde. Suas cores se formam tal como uma escala musical, que vai dos tons baixos, o cantochão, ao "allegro" das cores vibrantes. Então se vê o tanto amor que a artista dispensa ao seu fazer angustiado mas ao mesmo tempo prazeroso. Neyde plena.

Miguel Coelho - 2003

 

 

 

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